Terça-feira, 11 de Dezembro de 2007

Relatório de problemas e ideias

Na sequência da pesquisa feita pretendemos que o nosso relatório consiga reflectir o nosso percurso de trabalho até ao momento. Procuraremos sintetizar o que nos parece ser uma lacuna ou uma má solução para a zona ribeirinha a qual nos propomos trabalhar. É então necessário fazer uma pequena contextualização geográfica e socio-económica para facilitar uma melhor apropriação do espaço em função do nosso trabalho.

         A nosso ver, a serra da Arrábida e o rio Sado, devido à sua proximidade com a península de Tróia, cuja baia ser considerada uma das mais belas do mundo reúne todas as condições para que a população possa usufruir em perfeita harmonia da natureza, da fauna e da flora existente, proporcionando momentos de lazer e de diversão.

         Desde sempre que Setúbal, devido à sua ligação com o rio, desenvolveu uma forte actividade piscatória com o incremento das actividades ligadas ao sector das salinas e mais tarde ligados também à criação de viveiros de ostras e piscícolas.

         Foi na indústria conserveira, nos anos 80, que surgiram inúmeras fábricas que deram emprego a inúmeras famílias. De momento podemos considerar que a população se encontra de costas viradas para a serra e rio, em muito devido à opção de urbanística que se tem vindo a tomar ao longo dos tempos, destruindo as zonas emblemáticas e históricas da cidade em detrimento da conservação e restauro das mesmas, assinalando a descaracterização de forma profunda não aumentando a relação da população com o rio e serra.

         Devemos fazer então uma aposta na qualidade, não como factor de exclusão mas sim como motivo de inserção, procurando que toda a população possa usufruir da cidade. Deste modo poderia ser possível que muitas mais pessoas vivessem na cidade e desfrutassem da mesma, isto automaticamente iria reflectir-se no desenvolvimento económico da cidade e, consequentemente, na qualidade de vida da população.

         Foi na perspectiva de olhar para Setúbal com mais atenção que partimos de encontro ao trabalho, para tal decidimos entrevistar algumas pessoas que na nossa opinião nos poderiam explicar o que de errado se tem feito em Setúbal. O nosso primeiro destino foi a Biblioteca Municipal de Setúbal, que desde já agradecemos o imenso apoio que nos deu, e onde procurámos informação relativa à cidade e à sua evolução ao longo dos últimos anos. Na Biblioteca foi-nos aconselhado que visitássemos o gabinete de Urbanismo da Câmara Municipal de Setúbal e à APSS, Associação Portuária de Setúbal e Sesimbra, entidades que previamente contactámos para que se marcasse uma hora de atendimento, e foi aí que reunimos muitos dados, muitos dos quais nos facilitarão o resto do projecto. Ao nos dirigirmos ao Gabinete de Urbanismo fomos recebidos pelo Senhor Engenheiro António Branco, que nos auxiliou em todos os dados que necessitávamos, recolhendo dessa maneira plantas, projectos do POLIS de Setúbal, e uma vasta opinião sobre a cidade, que em conjunto com as nossas observações foi fundamental para o desenvolvimento deste relatório, na APSS obtivemos inúmeros esclarecimentos em relação ao projecto POLIS SETÚBAL, que está envolvido na reabilitação da zona ribeirinha e portuária de Setúbal.

 

A cidade de Setúbal e os seus problemas:    

         As conclusões que a seguir são apresentadas foram baseadas nas opiniões das pessoas entrevistadas e na experiência de campo do grupo, que ao iniciar ente trabalho realizou incursões à cidade, em especial na zona ribeirinha, com o objectivo de detectar os problemas que afectam esta zona.

Não é com dificuldade que nos deparamos com más opções arquitectónicas, algumas delas irreversíveis. A nossa zona ribeirinha é um exemplo vivo desses mesmos desastres urbanísticos e que, indubitavelmente, apresenta níveis de degradação acentuados e que ao longo do tempo tem vindo a ser dividida em sucessivas parcelas até ao seu estado actual, que com a sua excepcional qualidade e localização favorável poderia, se de forma correcta, solucionar muitos dos problemas da população.

         Ao introduzir os problemas da cidade iremos abordá-los de dois modos: a actualidade e o modo como foram evoluindo até ao seu estado actual.

A acessibilidade às zonas de potencial turístico são também pontos de destaque e revisão no projecto, visto que as novas exigências do dia-a-dia requerem cada vez mais facilidade em encontrar alternativas viáveis, de fácil acesso. Consideramos ser um ponto muito importante, tanto para o usufruto da população como para os turistas que nos queiram encontrar, estas ideias visam também responder a cada vez mais necessária e urgente intervenção no ambiente, que requer uma menor utilização dos transportes. Neste sentido iremos apresentar propostas para tentar solucionar estes problemas de forma eficaz, estes também serão pensadas ao nível dos deficientes motores, que vêem na cidade um exemplo muito pouco solidário com a sua causa e que não os ajuda nem facilita na deslocação enquanto peões.

           A visão é a responsável pela atracção dos outros sentidos, e numa cidade o que se vê pode muito bem determinar o sucesso da mesma. É neste sentido que concluímos que a nossa cidade tem de ter um aspecto novo e melhorado, para que ela também possa respirar ar limpo e moderno. Para tal será planeada uma nova rede de turismo, com novos espaços de diversão, lazer e cultura que farão a cidade mexer. A modernização, aliada à tradição, pode ser a aposta numa cidade mais acolhedora que verá os espaços de outrora ocupados e movimentados de novo, com vida e comércio. Neste sentido iremos renovar os espaços abandonados, renovando e recriando os mesmos. Neste campo iremos também incluir um estudo e propostas sobre a iluminação e sinalização dos espaços públicos na cidade, tentado dar brilho e iluminação, para que a cidade viva de dia e de noite. Estes aspectos são actualmente descurados pela cidade, pois esta não apresenta pontos de diversão e de lazer chamativos, que possam convidar os jovens e população a visitarem esta cidade que tem um enorme potencial turístico, para tal, iremos também apostar em pontos turísticos, aspecto este que não tem visibilidade na cidade e que representa uma enorme falha na mesma.

         A aposta num futuro sustentável será também muito importante, por isso foi decidida a colocação de todos os equipamentos de renovação e reciclagem nas ruas e juntos a todos os equipamentos de lazer, diversão e comércio. Isto irá visar uma maior sensibilização para o facto da importância destes na nossa vida, algo que tem sido sucessivamente descurado pela cidade, que vê os seus espaços sujos e pouco amigos do ambiente. A limpeza do rio e das zonas junto ao mesmo também será introduzida, visto que numa cidade moderna não se pode descurar a limpeza das águas e a apresentação das mesmas tanto para a saúde da população, como para os seres vivos que nela habitam.

         A criação de uma imagem uniforme da cidade será revista, de modo a que as construções que será iremos idealizar tenham entre si uma uniformidade patente; deste modo iremos preservar a nossa imagem de uma cidade com uma vertente histórica e cultural, mas também modernizando a mesma e tornando-a cada vez mais convidativa. Este aspecto é, segundo o grupo, um dos mais importantes visto que a cidade, e em especial a zona ribeirinha, apresenta edificações muito distantes umas das outras em termos Arquitectónicos, o que provoca uma imagem muito pouco acolhedora e estruturada. A ligação Terra-Água é também alvo de estudo, aspecto este que tem vindo a ser deixado ao abandono, e não é valorizado como um dos pontos mais importantes e fundamentais da nossa cidade.

         Os espaços verdes encontram-se num ponto de estagnação actual, em que na cidade não existe espaço verde suficiente para satisfazer as necessidades gerais, não se encontrando, na cidade, zonas para lazer, em contacto com a natureza. Este ponto também será muito bem estudado e avaliado e procederemos à apresentação de propostas.

         Podemos então concluir que a cidade tem inúmeras deficiências e que, muitas destas, têm vindo a prejudicar a população e o turismo, que podia ser mais profícuo, se houvesse um maior empenho das entidades Autárquicas, quer privadas, que ao longo dos anos não têm sabido aproveitar os recursos que temos e que são muito preciosos para a cidade, tanto para o seu desenvolvimento, como para a sua sustentabilidade. Ao longo da nossa pesquisa fomos também encontrando algo que nos desanima ainda mais, a desilusão que os populares sentem em relação à sua cidade, que não lhes oferece o máximo do seu potencial, por isso achamos que é urgente pensar de novo Setúbal como um ponto de turismo e de desenvolvimento, concluindo que nós temos muitas condições para que possamos também ser um ponto de referência a nível nacional. Deixamos estes números que nos fazem pensar o que a nossa cidade podia melhorar. Actualmente a população residente no concelho de Setúbal é de 845. 858 Habitantes, residindo na capital do conselho perto de 128.000 (dados de 2006). Abaixo, apresentamos uma tabela com a evolução da população desde 1801, até 2006:

 

1801

1849

1900

1930

1960

1981

1991

2001

2004

2006

15442

15060

35990

50456

56334

98336

103634

113934

120117

128000

 

         Os dados acima referidos são apenas estimativas, no entanto muito próximos dos valores reais.

         Ao olharmos para estes números, é fácil concluir que com este crescimento exponencial temos obrigatoriamente de reformular a nossa cidade, para que ela consiga sustentar a cada vez maior e mais necessitada população. Foi neste sentido que ao longo das nossas incursões fomos olhando criticamente para o enorme potencial da zona ribeirinha que infelizmente não é desenvolvido.   

          

Publicado por ferlede às 17:28
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